domingo, 2 de setembro de 2007

Estatísticas

"Em cada cem pessoas:

Sabendo tudo mais que os outros:
cinquenta e duas,
inseguras de cada passo:
quase todas as outras,

prontas a ajudar desde que isso não lhes tome muito tempo:
quarenta e nove, o que já não é mau,

sempre boas porque incapazes de ser outro modo:
quatro; enfim, talvez cinco,

prontas a admirar sem inveja:
dezoito,

induzidas em erro por uma juventude, afinal tão efémera:
mais ou menos sessenta,

com quem não se brinca:
quarenta e quatro,

vivendo sempre angustiadas em relação a alguém ou a qualquer coisa:
setenta e sete,

dotadas para serem felizes:
no máximo vinte e tal,

inofensivas quando sozinhas, mas selvagens quando em multidão:
isso, o melhor é não tentar saber mesmo aproximadamente,

prudentes depois do mal estar feito:
não mais do que antes,

não pedindo nada da vida excepto coisas:
trinta, mas preferia estar enganada,

encurvadas, sofridas, sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas:
mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,

justas:
pelo menos trinta e cinco, o que já não é mau,

mas se a isso juntarmos o esforço de compreender:
três,

dignas de compaixão:
noventa e nove,

mortais:
cem por cento, número que, de momento, não é possível mudar."


(Wislawa Szymborska)

Porque é que as estatísticas têm de ser assim?
Há números que é possível mudar :)

1 comentário:

patinho feio disse...

gostei de ler, obrigada pela partilha bloguistica!:)
foi engraçado pensar: "isto sou eu", "isto não sou eu" ou "será que sou eu?"!:p