Sabendo tudo mais que os outros:
cinquenta e duas,
inseguras de cada passo:
quase todas as outras,
prontas a ajudar desde que isso não lhes tome muito tempo:
quarenta e nove, o que já não é mau,
sempre boas porque incapazes de ser outro modo:
quatro; enfim, talvez cinco,
prontas a admirar sem inveja:
dezoito,
induzidas em erro por uma juventude, afinal tão efémera:
mais ou menos sessenta,
com quem não se brinca:
quarenta e quatro,
vivendo sempre angustiadas em relação a alguém ou a qualquer coisa:
setenta e sete,
dotadas para serem felizes:
no máximo vinte e tal,
inofensivas quando sozinhas, mas selvagens quando em multidão:
isso, o melhor é não tentar saber mesmo aproximadamente,
prudentes depois do mal estar feito:
não mais do que antes,
não pedindo nada da vida excepto coisas:
trinta, mas preferia estar enganada,
encurvadas, sofridas, sem uma lanterna que lhes ilumine as trevas:
mais tarde ou mais cedo, oitenta e três,
justas:
pelo menos trinta e cinco, o que já não é mau,
mas se a isso juntarmos o esforço de compreender:
três,
dignas de compaixão:
noventa e nove,
mortais:
cem por cento, número que, de momento, não é possível mudar."
(Wislawa Szymborska)
Porque é que as estatísticas têm de ser assim?
Há números que é possível mudar :)
1 comentário:
gostei de ler, obrigada pela partilha bloguistica!:)
foi engraçado pensar: "isto sou eu", "isto não sou eu" ou "será que sou eu?"!:p
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