segunda-feira, 26 de novembro de 2007

Se7en

Calhou ontem chegar a casa a tempo de rever este clássico (!),
que acaba com uma citação:
"Ernest Hemingway once wrote, 'The world is a fine place and worth fighting for.' I agree with the second part."

Apesar da gula, da luxúria, da ganância, da preguiça, da vaidade, da inveja e da ira , eu concordo com ambas :)

domingo, 25 de novembro de 2007

Eduardo Lourenço

Percebi ontem - hoje de madrugada :) - que nem toda a gente sabe quem é o Eduardo Lourenço - o que para mim era uma improbalilidade bem maior que ser a namorada do herói e não morrer no filme!

Para facilitar a decoberta, fica um texto - que é sempre a melhor forma de se conhecer um autor:

«De todas as palavras que eu disse, nenhuma me surpreendeu tanto. O excesso de espanto tornou-a opaca. Muitos pensaram que eu tinha escolhido as parábolas para me conformar com as vestes do tempo. Escolhi-as para ir sem sombra à praia desnuda da verdade que é filha do tempo mas não tem tempo. Cada verdade é um estilhaçar da eternidade no tempo. Quando me cheguei a ver vivo no meio do mundo, recolhi no meu coração toda a luz do homem. Do meu eterno presente corria para a alvorada dos tempos e também ao encontro dos que ainda não existem. Uma luz unida, sem começo nem fim. A minha luz, a luz de Deus em mim, eu como luz de Deus, era uma só coisa. Por isso eu existia antes que Abraão existisse. Abraão não tinha descoberto ainda que ele era a luz de Deus. Abraão é da linhagem humana um homem que vem depois de outro, o homem de uma viagem que prossegue sem conduzir o viajante ao lugar onde ele sempre esteve sem o saber. Eu soube que estava antes de Abraão e Jacob, porque só eu soube que um homem não pertence à linhagem humana mas está directamente ligado à fonte infinita.
Também podia ter dito que estava antes do céu e das constelações porque em mim o seu ser se converte em vida e verdade. A Natureza teve de esperar a minha chegada para ser Natureza. Ela não o é senão num momento em que nos tornámos homens. E isto não aconteceu num certo dia, mas sempre e nunca, porque ninguém sabe ainda o que isso significa – ser um homem – e por consequência ninguém sabe ainda o que é a Natureza. Da Natureza só podemos ter uma visão negativa. É tudo o que somos quando nos vemos a nós mesmos como seres que não são naturais. Mas quem se atreve a conceber-se fora da Natureza? O que nos é absolutamente natural é contemplarmo-nos como irmãos da lua, do sol, da água dos rios, das folhas, dos pássaros ou dos tigres, irmãos de leite da natureza que se distraiu um momento e inventou olhos para se ver viver.
Em criança caí no fundo de um barranco onde fiquei durante horas, rodeado de madressilvas, com a minha cara voltada para o céu, esburacado de estrelas. O mundo era a minha dor, mas a minha dor resvalava sobre a superfície grandiosa do mundo. Não éramos do mesmo mundo. Só o mundo era uma parte do meu mundo e era o seu silêncio que me dava um rosto. Eu disse uma vez que nenhum esplendor humano pode igualar o do lírio dos campos. Mas é porque os olhava no espelho de Deus, nos meus próprios. Quem, se não formos nós, pode subtrair a beleza do mundo ao seu apodrecer futuro? Como eu existia antes de Abraão e Jacob, também existia antes dos pássaros e lírios dos campos. Mas nunca teria podido ser quem sou se não houvesse pássaros e lírios dos campos. Eles esperavam-me, eu esperava-os. Juntos tornámo-nos, eu, um homem que associa a sua felicidade à beleza do mundo, dos pássaros e dos lírios dos campos, eles, figuras à espera de um só olhar que os acorde do sono da terra ao qual estão destinados. Ao qual tudo está destinado se eu não morrer por eles para os salvar do nada onde já estavam antes que Deus desenhasse com eles o firmamento do meu coração.»


quinta-feira, 22 de novembro de 2007

Mais-ou-menos Aforismo

Suspiro de uma mãe na consulta:
"A canalha é lixada!"

Tal e qual :)
Por todos os bons motivos...e também sem motivo!

domingo, 18 de novembro de 2007

Momentos especiais

Já passou quase um mês, mas a coisa boa dos bons momentos é que a memória não tem data

Tudo começou com um convite a abrir-nos as portas da quinta da família em Vila Real, e a ganhar contorno num café em casa dos Garrett para planear coisas mais-ou-menos práticas como... sacos-de-cama e maçãs mofas :)

Partimos 6ª feira à noite, atrasadamente felizes e alguns submersos em papel higiénico ;p

À chegada - a mordomia masculina que transportou malas e compras através do frio, enquanto descobríamos os cantos à casa, - a mesa posta para 10 e o arroz de frango da Olinda, - conversas e risos de quem está como em casa :)

Serão ao calor da braseira, com direito a unhas mais-ou-menos arranjadas e vozes mais-ou-menos de embalar... até arrumar o sono e as conversas em camas e cobertores!

Acordar... com Bom dia, diga ao menos bom dia à porta do quarto e com almas mais-ou-menos gémeas dentro do quarto :)

Pequeno almoço na varanda - em versão pijama ou banho tomado - com pão fresco e sol de inverno!

Depois dos encantos da Quinta do Patrício, um pulo até Vila Real... e voltar para um almoço "em grande, com sol, com todos e mais ainda! " :)

A tarde rumou ao granito de Lamas de Olo e aos trilhos do Alvão...

De volta a casa, lanche e algumas despedidas... jantar e outras despedidas!

Houve castanhas no lume, sessão de fotografias e berros, cartas... com animais à solta :p e "casa escura"... com sustos q.b.

Domingo de sol... e de regresso! Minha vez de ter "folhas vermelhas do lado de lá da janela" no banho... de água fria! Últimas músicas e fotografias...não houve barriga para todas as pataniscas!...contas feitas, malas prontas e avelãs na bagagem

Adeus! E tão obrigada :)

Regressar

Tanta coisa que nos leva para longe de nós
Tanta coisa mais-ou-menos gratuita que nos mantém à margem do texto

Justifica-se uma ausência de palavras, com palavras?
O que ficou por escrever, não deixa de ter sido escrito - apagado?

Custa regressar?
Talvez...hoje é o dia :)