sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Grandes coisas

Sempre esperámos grandes coisas da literatura. Esperámos pássaros pendurados das árvores, caminhos que não levam a nenhum lugar, livros que acentuavam o desespero que havia em nós, ou só a alegria, a tristeza, o pão de cada dia, o ruído dos navios no alto mar, a passagem de uma motorizada a meio da noite. Sempre esperámos grandes coisas da literatura - uma palavra que ficasse, uma floresta que abrisse clareiras, uma pequena memória no meio do que já não tem memória nem está preparado para ela. Sempre esperámos grandes coisas da literatura. Esperámos os livros, de acordo com a mesada - quando éramos adolescentes. De acordo com o calendário e as necessidades - quando ficámos adultos e guardámos um resto de inocência. Sempre esperámos grandes coisas da literatura.
LER nº 95

Sempre espero... no plural :)

Sem comentários: