quarta-feira, 27 de junho de 2007

Sms - Mimos

Ao percorrer a lista de mensagens no telemóvel, (re)descobrem-se coisas como:

"Num tempo, não há muito tempo, numa terra que não era de prata nem se chamava Argentina, vivia um cego muito fixe que percebia pouco de mulheres mas sabia escrever mensagens sozinho..."

"Está um dia lindo para discernimentos, Teresa-cheia-de-Graça!"

"Queria mesmo agradecer-te o mimo de ontem, sem saberes, ao tentares "descarregares-te" em mim, "descarregaste-me"! Obrigada, não imaginas como estava a precisar..."

"És fantástica! :) quando dizes às criancinhas para não ficarem doentes para vires cá?"

Com mimos destes como não me derreter?
A culpa é toda vossa :)

terça-feira, 26 de junho de 2007

Entrar pela porta estreita

Estreiteza para ir largo?
Justeza para arriscar justiça?
Vontade para fazer ao outro o bem exigente que eu gostava para mim?
E entrar? ...entrar porque se confia que só o amor basta para que tudo isto possa ser

Candidatos? ;)

Sobre o consolo e a consolação

Não pretende ser um tratado - até porque em matéria de consolação o que eu poderia ter pra dizer não seria provavelmente de grande consolo - mas a experiência de ter visto alguém consolado :) levou-me a recordar estas palavras do P. Vasco:

"Deveríamos todos aprender o ofício de consolar. Não é apenas dar uma palmadinha nas costas, nem ter pena, nem compensar... É ajudar o outro a sofrer bem o que está a sofrer, sofrendo com ele, condividindo a dor e mostrando com a nossa atitude como de tudo se pode tirar bem. Não é, pois, afastar a dor. É mostrar o caminho do bem e mostrar que se pode fazer o bem mesmo sofrendo"

Para mim, é profundamente consolador :)

Tributo ao Salvador

Apesar do título - dado a interpretações mais-ou-menos beatas - este post tem mais a ver com amizade :)
Num dia que estatisticamente pode não ter sido o melhor - mas esperando que nas matemáticas do Espírito Santo seja suficiente - queria agradecer-te seres o comentador mais assíduo e promotor destes textos mais-ou-menos gratuitos
É um facto estatisticamente significativo... e amigamente significante :)

segunda-feira, 25 de junho de 2007

Nenhum olhar

Engraçado como leituras partilhadas recentemente - Cemitério de pianos - nos levam aos primórdios de um autor... e como voltar ao nenhum olhar do Zé Luís Peixoto pode deslumbrar como da primeira vez:

«Penso: talvez haja uma luz dentro dos homens, talvez uma claridade, talvez os homens não sejam feitos de escuridão, talvez as certezas sejam uma aragem dentro dos homens e talvez os homens sejam as certezas que possuem.» [...]
«Os homens são uma parte pequena do mundo, e eu não compreendo os homens. Sei o que fazem e as razões imediatas do que fazem, mas saber isso é saber o que está à vista, é não saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso não haja qualquer explicação; talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique.» [...]
«Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.»


Penso: imperativo partilhar :)

domingo, 24 de junho de 2007

S. João

"Vimos à Quinta do Jordão,
o São João festejar e
pela 3ª vez consecutiva
vamos embora sem ganhar!"

Não foi verdade... viemos embora felizes :)
porque houve sardinhas, martelos e rimas
fogo e balões (pouco dados a altos vôos)
música popular e bailarico
a simpatia dos anfitriões
e o 2º lugar com manjerico!

terça-feira, 19 de junho de 2007

ABC…

A certa altura no curso de medicina, (quase) toda a gente se depara com o ABC… e faz sinapse automática… Airway – Breathing – Circulation… é o algoritmo universal em emergência – as avaliações prioritárias e os gestos exactos na sequência certa salvam vidas!

E o algoritmo “eu-em-frente-de-um-doente”? Esse?
...fica fora do currículo na faculdade
…vai-se descobrindo nas aulas práticas
…ensaia-se nos serviços – e erra-se (!) – com doentes de verdade
…assiste-se – e pode ser tão confrangedor
…admira-se – com arte – e quer-se imitar
…esboça-se, risca-se, começa-se de novo, aperfeiçoa-se… continuamente

Este é o meu rascunho:

Aatenção
…qualquer serviço exige em primeiro lugar atenção àquela pessoa
Bbom senso
…o tempero – a temperança – de toda a actividade humana
Ccompetência e confiança
…competência no que se faz – indispensável – para bem fazer (seja o que for!)
…confiança – no sorriso, no gesto, na palavra, no silêncio – para merecer tudo o que o doente deposita nas nossas mãos
Ddiálogo e dignidade
…ouvir, compreender – mesmo não entendendo – explorar com sensibilidade, interpretar e muito importante traduzir – como pode alguém lidar com –ites, -omas, -asias, -oses e todas as “enças” ?
…porque vive-se doente, mas não se resiste sem dignidade
Eesperança
…acho que não é preciso explicar :)

Quase (sublinhado)

Ainda pior que a convicção do não,
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono
.

Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher
uma vida morna.

A resposta eu sei de cor,
está estampada na distância
e na frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia",
quase que sussurrados.

Sobra covardia
e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo
no meio-termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.
Para os erros há perdão,
para os fracassos, chance,
para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar
um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor
não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e
acredite em você.
Gaste mais horas realizando
que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...

Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.

Luiz Fernando Veríssimo

Quase madrugada
Quase graça
Quase amizade
Quase, quase santa :)

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Proposta

O P. Vasco propôs no domingo e apeteceu-me ampliar...
conjugar crítica e perdão
...crítica - não da razão pura - mas de puro bom senso :)
...perdão - não desculpa - para recriar, dar lugar e vida, abrir futuro...
a começar em nós, e procurando chegar aos outros
a partir das coisas pequeninas, para se estender a coisas mais-ou-menos grandes
a sair lentamente das palavras, a suportar a fé, a avançar para as obras
a deixar o quentinho dos blogs, para experimentar o mundo...

encontramo-nos por lá :)

domingo, 17 de junho de 2007

O que os domingos têm de bom

Ficar na cama até mais tarde… a preguiçar, a ler, a ouvir o vento

Sentir-mo-nos verdadeiramente amigos de alguém

Ler o jornal… e descobrir que «Pagar impostos pode ser uma fonte de prazer» - diz um estudo da Science que pagar impostos por boas causas activa as mesmas áreas do cérebro que entram em acção quando comemos doces ou convivemos com amigos
… e lembrarem-nos que “Quem reza a sério não pretende convencer a Deus, nem lembrar-lhe os seus deveres. (…) A oração só tem sentido para convocar os crentes a desejarem o desejo de Deus” [Frei Bento Domingues]
… e conhecer (pela mão do Agualusa) um “serto” senhor Halípio, em que tudo nele era propenso ao erro, excepto o coração, e que «ao fim de 20 dias a errar longamente pelo mais belo mar do mundo, ou pelo mais profundo esquecimento de Deus» chegou a duas conclusões: 1) também a beleza pode ser estéril, um mar sem peixes e 2) a beleza só pode ser devidamente apreciada com a barriga cheia.

Almoço em família… na hora de pôr a mesa éramos cinco :)

A possibilidade de a papelada do trabalho ser menos importante que dobrar as fotocópias para a missa… e de aí as mãos se multiplicarem

Fazer bolos... simplesmente porque sim

Ir à missa

Oh crappy day

Rainy morning a caminho do hospital… com 5 horas de sono a pedir 12 horas de urgência mais-ou-menos misericordiosas
Passagem do turno, ver os doentes em OBS, passar ronda pelos meninos das enfermarias
Still raining
Estrear-me de ambulância – “Ó… liga a sirene pra doutora!” – para levar um doente ao São João
No regresso – sem sirene – a mesma chuva!
4 hours still…
O Diogo Pimparel, uma Alda achocolatada com febre, uma transplantada renal com uma pneumonia de estimação, a Daniela – adolescente - com uma amigdalite e medo da prednisolona que faz engordar (!) e uma gastroenterite sorridente com 9 meses
20h15… serviço cumprido
E continua a chover
Será que rabo de peixe soube… nadar? :)

quarta-feira, 13 de junho de 2007

Elogio do roxo

Gosto de roxo... roxinho, violeta, lilás
roxo às riscas, roxo às bolinhas, roxo às flores

Gosto de ocasos em tons de púrpura
campos de urze... e alfazema!

Gosto de purple rain... e purpurinas :)

Até acharia um encanto extra ao pintarroxo, se fizesse jus ao nome...

E mais, a luz além do violeta deixa de ser visível

E se tudo isto não for bastante, sobra-me Camões:
"Já a roxa manhã clara
do Oriente as portas vem abrindo,
..."

terça-feira, 12 de junho de 2007

É preciso...

É preciso paciência e cafeína !

...e sal q.b. (isto é, na medida certa, que é a medida da graça de Deus)
... e abracinhos loiros e de olhos azuis
... e "sim"s sorridentes e vestidos de cor-de-rosa
... e bolos de chocolate - com cobertura - feitos num lusco-fusco

Foi assim não foi assim

De vez em quando, quase sempre que oiço um "foi assim", vem-me à cabeça e muitas vezes aos lábios, uma passagem dos "Versículos Satânicos" do Rushdie, que já anda comigo há muito tempo e que eu nunca consigo contar direito e que é assim:

"Foi assim, não foi assim, num tempo há muito esquecido viveu na terra de prata da Argentina um certo Don Enrique Diamond, que percebia muito de pássaros e pouco de mulheres, com a sua esposa Rosa, que não percebia nada de homens mas percebia bastante de amor"

Tenho dito :)

Feira do Livro

Fui à Feira do Livro com a minha mãe... voltámos mais ricas 15 livros :) e carregando a promessa de muitas mais horas de prazer a desfolhar páginas escritas! E a possibilidade de as partilhar ou oferecer porque
"a um livro que anda tanto tempo connosco podem acontecer coisas como regressar à origem, sujar-se de terra, cair ao mar de uma ilha, passar de mão em mão"
e a minha parte favorita é o passar por outras mãos, outros olhos, outras consciências, outros sonhos...

O prédio perfeito

Título roubado a uma crónica da Catarina Portas no Público

com o propósito único de partilhar esta frase da Sophia de Mello Breyner sobre a criação/construção:

"Pela qualidade e grau de beleza da obra que construímos se saberá se sim ou não vivemos com verdade e dignidade.
É necessário que aqueles que vão construir amem o espaço, a luz, o próximo."


Para suscitar a vontade de construir... e "de amar o outro à luz do espaço" (obrigada Margarida!)

A causa

A 5 de Junho de 2007, rascunhei este post:

"Hoje, missa no jardim do creu, com vista para os limões e promessa de framboesas...
a propósito da resposta de Jesus à questão do tributo a César - evangelho Mc 12, 17 - "Dai a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus" :
- não equacionar os problemas no vazio teórico, o discernimento pede o concreto
- ir para além dos olhares superficiais - o que me apetece -, dos olhares precipitados - o que eu quero agora
- olhar o valor das coisas - o que é que isto vale para mim, que significado tem na minha vida? - e decidir como agir coerente e consequentemente com essa apreciação
- uma moeda é apenas uma moeda
- só Deus é Deus"


Um blog é de César? ou é de Deus?
E as causas? :)

No princípio... foi o Nico

No princípio... eu não conhecia a blogosfera, depois comecei a espreitar alguns blogs e passei a visitar "cadernos" de amigos e outras páginas que souberam cativar, depois brincava com a ideia de ter o meu próprio blog, depois o Nico disse-me: "Faz um blog! É uma ordem" e... ao sétimo dia surgiram estes Textos Mais-ou-menos Gratuitos :)