segunda-feira, 25 de junho de 2007

Nenhum olhar

Engraçado como leituras partilhadas recentemente - Cemitério de pianos - nos levam aos primórdios de um autor... e como voltar ao nenhum olhar do Zé Luís Peixoto pode deslumbrar como da primeira vez:

«Penso: talvez haja uma luz dentro dos homens, talvez uma claridade, talvez os homens não sejam feitos de escuridão, talvez as certezas sejam uma aragem dentro dos homens e talvez os homens sejam as certezas que possuem.» [...]
«Os homens são uma parte pequena do mundo, e eu não compreendo os homens. Sei o que fazem e as razões imediatas do que fazem, mas saber isso é saber o que está à vista, é não saber nada. Penso: talvez os homens existam e sejam, e talvez para isso não haja qualquer explicação; talvez os homens sejam pedaços de caos sobre a desordem que encerram, e talvez seja isso que os explique.» [...]
«Penso: talvez o céu seja um mar grande de água doce e talvez a gente não ande debaixo do céu mas em cima dele; talvez a gente veja as coisas ao contrário e a terra seja como um céu e quando a gente morre, quando gente morre, talvez a gente caia e se afunde no céu.»


Penso: imperativo partilhar :)

2 comentários:

n disse...

aii, como eu não tenho paciência para este tipo de escrita. Deste-te conta que o senhor neste enorme parágrafo não disse nada?
vais-me cair em cima, eheh. chova então.

tmg disse...

Penso: é preciso explicar tudo??
Primeiro não é um enorme parágrafo mas uma selecção de excertos comunicantes
Segundo, mesmo que não dissesse nada - o que não é verdade - continuava a ser muito bonito...
Terceiro, chova :)