quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O banal instante

A vida modifica-se rapidamente.
A vida modifica-se num instante.
Sentamo-nos para jantar e a vida, como a conhecemos, acaba.

No espaço de tempo de uma pulsação.
Ou na sua ausência.

A dor da perda, quando chega, não é como esperamos que seja.

Leia-se, aprenda-se, trabalhe-se, recorra-se à literatura.

Estás salva. Estou aqui. Está tudo bem.

«Amo-te mais do que um dia mais»
«No fim, ficamos todos empatados»

Joan Didion

sábado, 18 de setembro de 2010

Teresa e Bernardo

Só um do outro e os dois de Deus

Desde Colónia até ao altar em Gandarela
O vosso amor, a vossa alegria, a vossa fidelidade
A nossa amizade, a nossa alegria, a nossa oração

Bendiz ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu

Bendizemos pelos dois :)

domingo, 12 de setembro de 2010

Poema à professora

Conheço-te há três anos
Chamo-te Maria ou Pássaro Azul
e dou-te este poema solitário
numa noite de origens e de rosas.
O teu cabelo é paisagem verde
os teus olhos são a luz do mundo
o teu rosto é a minha saudade.
A escuridão é abundante dos que sofrem
e como tu
ninguém tem o coração mais dentro do peito
a sofrer
a sofrer por nós
que somos teus irmãos.

victor figueiredo, 9 anos



De um livro que é um tesouro de textos de crianças que estavam livres para se darem e para serem poesia

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Era o fim do verão

Poesia entre arrumações, e uma nostalgia que não é bem uma pontada nas costas... e porque é Setembro :)

Era o tempo do fim do verão, o tempo da areia
sulcada de pequenos triângulos de patas de
gaivotas.
Era um barco de papel que uma onda fez alga, o
tempo de uma cerveja bebida numa esplanada
ao cair da tarde.
Tudo é possível... dizias!
Depois vinha um rasto de abelhas tardias e
o pôr-do-sol era uma nuvem, um início de
chuva a acariciar levemente as janelas com
aquela tristeza com que se saúdam as partidas
anunciadas.
Era o tempo, éramos tão novos! ...
Era o tempo das cigarras, das noites ao relento,
tão nuas como os corpos.
Hoje sei. Sei-o com a certeza súbita de uma
pontada nas costas. É o fim do verão.
Sei isto porque descobri no bolso, naquele
onde guardo o maço de cigarros, alguns bagos
cinzentos, mornos de Setembro...
Era o fim do verão!
(JPL)