Poesia entre arrumações, e uma nostalgia que não é bem uma pontada nas costas... e porque é Setembro :)
Era o tempo do fim do verão, o tempo da areia
sulcada de pequenos triângulos de patas de
gaivotas.
Era um barco de papel que uma onda fez alga, o
tempo de uma cerveja bebida numa esplanada
ao cair da tarde.
Tudo é possível... dizias!
Depois vinha um rasto de abelhas tardias e
o pôr-do-sol era uma nuvem, um início de
chuva a acariciar levemente as janelas com
aquela tristeza com que se saúdam as partidas
anunciadas.
Era o tempo, éramos tão novos! ...
Era o tempo das cigarras, das noites ao relento,
tão nuas como os corpos.
Hoje sei. Sei-o com a certeza súbita de uma
pontada nas costas. É o fim do verão.
Sei isto porque descobri no bolso, naquele
onde guardo o maço de cigarros, alguns bagos
cinzentos, mornos de Setembro...
Era o fim do verão!
(JPL)
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