quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Fresh linen



Deus é a parte fresca da almofada

Ao acordar e ao adormecer :)

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Grandes coisas

Sempre esperámos grandes coisas da literatura. Esperámos pássaros pendurados das árvores, caminhos que não levam a nenhum lugar, livros que acentuavam o desespero que havia em nós, ou só a alegria, a tristeza, o pão de cada dia, o ruído dos navios no alto mar, a passagem de uma motorizada a meio da noite. Sempre esperámos grandes coisas da literatura - uma palavra que ficasse, uma floresta que abrisse clareiras, uma pequena memória no meio do que já não tem memória nem está preparado para ela. Sempre esperámos grandes coisas da literatura. Esperámos os livros, de acordo com a mesada - quando éramos adolescentes. De acordo com o calendário e as necessidades - quando ficámos adultos e guardámos um resto de inocência. Sempre esperámos grandes coisas da literatura.
LER nº 95

Sempre espero... no plural :)

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O banal instante

A vida modifica-se rapidamente.
A vida modifica-se num instante.
Sentamo-nos para jantar e a vida, como a conhecemos, acaba.

No espaço de tempo de uma pulsação.
Ou na sua ausência.

A dor da perda, quando chega, não é como esperamos que seja.

Leia-se, aprenda-se, trabalhe-se, recorra-se à literatura.

Estás salva. Estou aqui. Está tudo bem.

«Amo-te mais do que um dia mais»
«No fim, ficamos todos empatados»

Joan Didion

sábado, 18 de setembro de 2010

Teresa e Bernardo

Só um do outro e os dois de Deus

Desde Colónia até ao altar em Gandarela
O vosso amor, a vossa alegria, a vossa fidelidade
A nossa amizade, a nossa alegria, a nossa oração

Bendiz ao Senhor teu Deus pela boa terra que te deu

Bendizemos pelos dois :)

domingo, 12 de setembro de 2010

Poema à professora

Conheço-te há três anos
Chamo-te Maria ou Pássaro Azul
e dou-te este poema solitário
numa noite de origens e de rosas.
O teu cabelo é paisagem verde
os teus olhos são a luz do mundo
o teu rosto é a minha saudade.
A escuridão é abundante dos que sofrem
e como tu
ninguém tem o coração mais dentro do peito
a sofrer
a sofrer por nós
que somos teus irmãos.

victor figueiredo, 9 anos



De um livro que é um tesouro de textos de crianças que estavam livres para se darem e para serem poesia

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Era o fim do verão

Poesia entre arrumações, e uma nostalgia que não é bem uma pontada nas costas... e porque é Setembro :)

Era o tempo do fim do verão, o tempo da areia
sulcada de pequenos triângulos de patas de
gaivotas.
Era um barco de papel que uma onda fez alga, o
tempo de uma cerveja bebida numa esplanada
ao cair da tarde.
Tudo é possível... dizias!
Depois vinha um rasto de abelhas tardias e
o pôr-do-sol era uma nuvem, um início de
chuva a acariciar levemente as janelas com
aquela tristeza com que se saúdam as partidas
anunciadas.
Era o tempo, éramos tão novos! ...
Era o tempo das cigarras, das noites ao relento,
tão nuas como os corpos.
Hoje sei. Sei-o com a certeza súbita de uma
pontada nas costas. É o fim do verão.
Sei isto porque descobri no bolso, naquele
onde guardo o maço de cigarros, alguns bagos
cinzentos, mornos de Setembro...
Era o fim do verão!
(JPL)

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Graças a Deus

pela boa vontade que sai à rua
pelas urgências calmas depois do jantar
pelos sobressaltos informáticos com final feliz

e por acreditar que Ele faz parte de tudo isto :)

sábado, 21 de agosto de 2010

Books and cakes

Um livro é o bolo todo numa fatia.

domingo, 25 de abril de 2010

Liberdade

Freedom's just another word for nothing left to lose

na canção, como na vida
seja!

domingo, 21 de março de 2010

O poema

Em jeito de epígrafe para o dia de hoje

O poema é um exercício de dissidência, uma profissão de incredulidade na omnipotência do visível, do estável, do apreendido. O poema é uma forma de apostasia. Não há poema verdadeiro que não torne o sujeito um foragido. O poema obriga a pernoitar na solidão dos bosques, em campos nevados, por orlas intactas. Que outra verdade existe no mundo para lá daquela que não pertence a este mundo? O poema não busca o inexprimível: não há piedoso que, na agitação da sua piedade, não o procure. O poema devolve o inexprimível. O poema não alcança aquela pureza que fascina o mundo. O poema abraça precisamente aquela impureza que o mundo repudia. (JTM)

quarta-feira, 10 de março de 2010

9 de Março

(29x2) + 36, ou por ordem inversa
sol encomendado e o dia para bens
frésias para mim, e outras flores pela casa
pessoas e desejos por sms e telefone
missa: eu tenho-Te a dizer obrigada (pelas graças óbvias e pelas não percebidas)
jantar, e mais pessoas e desejos por telefone e à porta

"gostei muito da tua festa"
eu também :)

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Fevereiro para finalizar

cinzas, para nos pôr no lugar
estado de guerra, em sessão de fim de tarde (não temos mesmo noção do que é a guerra, ou do que possa ser)
sábado até à praia e uma casa nova à nossa espera
pedir coisas boas e ser apenas o que precisamos
a vida além dos alertas, e a poesia apesar dos terramotos
subir alto e ganhar olhar

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

A graça de fevereiro

sol de inverno e frio de fazer chorar,
magnólias outra vez,
a Matilde ao alcance dos braços,
whatever works

e o salinger, claro
os factos são sempre óbvios demasiado tarde, mas a diferença mais singular entre a felicidade e a alegria é que a felicidade é um sólido e a alegria um líquido